Comandante Dan rebate ação contra BR-319
O Parlamentar defende pavimentação com controle ambiental e presença do Estado
Pronunciamento/Djalma Junior O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) repercutiu na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) a ação civil pública ajuizada pelo laboratório do Observatório do Clima, que pede a anulação dos editais dos Pregões Eletrônicos nº 90127, 90128, 90129 e 90130/2026, destinados à contratação de serviços de pavimentação do chamado “trecho do meio” da BR-319 (Manaus–Porto Velho). Para o parlamentar, a iniciativa revela uma “leitura incompleta da realidade amazônica” e ignora os impactos sociais, econômicos e de segurança pública provocados pelo isolamento do estado.

“O Amazonas não pode continuar sendo tratado como uma ilha continental. Nós vivemos, em 2023 e 2024, duas vazantes históricas que restringiram até a navegação no Rio Amazonas. Isso não é uma hipótese acadêmica, é um fato concreto que isolou populações, encareceu alimentos, comprometeu o abastecimento e colocou vidas em risco. A BR-319 não é um capricho, é uma necessidade estratégica”, afirmou Comandante Dan.
Ao rebater os argumentos do Observatório do Clima, que apontam risco de aumento do desmatamento e das emissões de carbono, o deputado sustentou que o debate não pode desconsiderar a dimensão territorial do Amazonas, com mais de 1,5 milhão de km², e a ausência histórica do Estado em áreas remotas. Segundo ele, o problema não está na estrada em si, mas na falta de governança.

“Estrada sem Estado, de fato, vira vetor de problema. Mas o isolamento também é um ambiente fértil para o crime. Onde o poder público não chega, o crime organizado ocupa. O que defendemos é o contrário: acesso com presença institucional, com fiscalização, com inteligência e com poder de polícia. Eu sou da segurança pública e sei que não se controla território sem acesso”, declarou.
O parlamentar destacou que a própria lógica de combate aos crimes ambientais — como garimpo ilegal, grilagem e narcogarimpo — exige mobilidade e logística. “Hoje, muitas dessas áreas só são alcançadas com extrema dificuldade. Isso limita a atuação das forças de segurança e dos órgãos ambientais. A estrada, com planejamento e controle, pode ser instrumento de proteção, não de destruição”, disse.
Comandante Dan também reforçou que sua defesa da BR-319 não está dissociada da preservação ambiental. “Não existe qualquer contradição entre desenvolver e preservar. O que precisamos é de um modelo que integre as duas coisas: regularização fundiária, presença permanente de fiscalização, uso de tecnologia, monitoramento por satélite e atuação coordenada entre União, Estado e municípios. O Amazonas não pode ser condenado ao atraso em nome de uma proteção que, na prática, não se efetiva sem Estado”, afirmou.
O deputado criticou ainda o que classificou como uma visão “desconectada da realidade local” por parte de setores que se opõem à obra. “É preciso ouvir quem vive aqui. Quem depende de avião caro, de balsas, de rios que secam. A BR-319 representa integração nacional, redução de custos logísticos e dignidade para a população. O Brasil precisa decidir se quer manter o Amazonas isolado ou integrado de forma responsável”, pontuou.
Por fim, Comandante Dan defendeu que o avanço da pavimentação da rodovia seja acompanhado de um robusto plano de governança territorial. “Nós não defendemos obra irresponsável. Defendemos uma obra com responsabilidade, com controle e com presença do Estado. Porque o verdadeiro risco não é a estrada: é o vazio de poder. E vazio de poder, na Amazônia, é ocupado pelo crime”, concluiu.
Em tribuna, o deputado convidou representantes do Laboratório do Observatório do Clima para que compareçam à Assembleia Legislativa para dialogar com os parlamentares e saber das dificuldades dos homens e mulheres do Amazonas.




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