Amazonas entra em alerta para seca severa e intensifica ações preventivas contra impactos da estiagem
Governo do Estado mobiliza Defesa Civil, Bombeiros e municípios após previsão de novo episódio do El Niño, com risco de vazante semelhante à registrada em 2023
Barcos encalhados na Ponta da Piraiba/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil O Governo do Amazonas intensificou as medidas de preparação para o período de estiagem durante reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos realizada nesta quarta-feira (17). A mobilização ocorre diante dos alertas da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que apontam mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanência até 2027.
A preocupação das autoridades é que a nova estiagem provoque impactos semelhantes aos registrados em 2023, quando o estado enfrentou uma das piores secas da história, afetando milhares de famílias e comprometendo o abastecimento de comunidades ribeirinhas.
Durante a reunião, o governador destacou que o Estado já trabalha de forma antecipada para minimizar os impactos da vazante.
“Estamos nos antecipando à seca deste ano, que será muito próxima à que aconteceu em 2023. Hoje estamos preparados e tomamos medidas para minimizar o sofrimento da nossa população, especialmente nos municípios e comunidades mais distantes”, afirmou.
Entre as principais medidas adotadas está o decreto de Estado de Emergência Climática e Ambiental, em vigor desde o último dia 11 de junho. A medida tem validade de 180 dias e permite maior agilidade na execução de ações emergenciais de assistência e mitigação dos impactos ambientais.
O planejamento estadual também prevê atenção especial a 19 municípios considerados mais vulneráveis à estiagem. A próxima reunião do comitê deverá contar com a participação de prefeitos e representantes das Defesas Civis municipais para alinhamento das estratégias de atuação.
Combate aos incêndios
Com a chegada do período mais seco do ano, cresce também o risco de incêndios florestais e queimadas ilegais. Para enfrentar o problema, o Governo do Amazonas ampliou a presença do Corpo de Bombeiros no interior do estado por meio da Operação Amazonas + Verde.
Nos últimos doze meses, o número de municípios com bases permanentes da corporação passou de 11 para 24 cidades, representando um aumento de 118%. A mais recente unidade foi instalada no município de Manicoré.
A operação contará com aproximadamente 812 profissionais, entre bombeiros militares, brigadistas e equipes de apoio dos municípios. Além das ações de combate ao fogo, equipes já realizam atividades educativas em escolas, comunidades rurais e aldeias indígenas para conscientizar a população sobre os riscos das queimadas.
Logística e monitoramento
Outro desafio da estiagem é a redução dos níveis dos rios, que funcionam como as principais vias de transporte no Amazonas. A Defesa Civil acompanha diariamente os indicadores meteorológicos e hidrológicos para garantir o abastecimento de alimentos, combustíveis, medicamentos e outros itens essenciais antes que determinados trechos se tornem de difícil navegação.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também anunciou a ampliação do monitoramento climático e da qualidade do ar. Um aplicativo disponibilizado à população permitirá o acompanhamento em tempo real das condições ambientais em diferentes regiões do estado.
Orientações à população
O secretário executivo da Defesa Civil do Amazonas, coronel Clóvis Araújo, ressaltou que a principal preocupação é garantir assistência humanitária às comunidades afetadas.
“Nossos rios são as nossas estradas. Quando os rios secam, aumentam as dificuldades para chegar às regiões mais isoladas”, destacou.
Entre as recomendações estão o uso consciente da água, a manutenção de reservas para consumo, o planejamento antecipado para aquisição de alimentos e medicamentos e a proibição de queimadas em áreas urbanas e rurais.
As autoridades também orientam que famílias com gestantes, idosos, crianças e pessoas que dependem de tratamento médico contínuo avaliem a necessidade de deslocamento temporário para locais com melhor acesso aos serviços de saúde, caso a situação se agrave nos próximos meses.





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